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Longitudinal

Longitudinal

Este fantasma (não) é meu?

 

 

Ao entrar neste filme entramos em território que não nos pertence. Isto é, com todas as letras, propriedade privada.

Irène, de Alain Cavalier.

Um diário filmado. Uma carta a si próprio com uma intermediária que já não está viva.

É sobre Irène? Sim, o filme tem o seu nome e esse mesmo nome que seguimos com Cavalier.

Mas é um filme sobre os fantasmas que fomos deixando para trás mas que nunca nos deixaram. Não é fácil. (E se não o é para nós, imaginem para quem dá voz (acima de tudo) a esta história)

Ao longo de uma hora e meia ouvimos Cavalier a questionar-se, a questionar o próprio filme, a querer destruir as provas da sua obsessão por Irène.

"Quando vivia com Irène escrevia todos os dias neste diário", diz.

O diário é de 1971. (Passaram 40 anos) Queremos mesmo destruir os nossos fantasmas?