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Longitudinal

A mão continuava a puxá-lo

Janeiro 10, 2026

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Crianças a sair da escola, 1895, Pierre Bonard

Seguiam pela rua de mãos dadas. À distância, poderia parecer que ele saltitava, mas apenas tentava acompanhá-la. “As mulheres vestem gabardinas, os homens fatos escuros”, comentou enquanto apressava a passada. Ela puxou-o para mais perto de si. “Só elas se vestiram de acordo com o boletim meteorológico”, respondeu com secura, desmascarando-o por também ele estar de fato num dia chuvoso, apesar de todos os avisos. Como se dissesse, ou pelo menos ele assim entendeu, que não podia continuar a parecer mais mãe do que mulher. Qualquer resposta que inventasse naquele momento soaria como uma desculpa. Faria com que se parecesse, de facto, com uma criança.
 
Na base de um prédio alto, um homem empurrava uma mulher contra a parede. Controlava-a à vista de todos e ninguém se intrometia, porque a cidade permite esse desleixo, por vezes impiedoso, com a vida alheia. Ele atrasou o passo para perceber o que se passava, no entanto a mulher não desviou o olhar para se fixar, mesmo que por instantes, naquele casal. Puxou-o de novo para si. Só isso. Há uns anos, à saída do metropolitano, encontraram um homem que dormia no chão, mesmo no meio do caminho. Ela passou por cima do corpo com uma ligeireza que o surpreendeu. Era o salto de uma gazela a sobrevoar uma carcaça, sabendo que podia ser a sua naquele lugar. O homem estava morto, mas só ele se apercebeu disso. Admirava-lhe essa frieza, temia-a também. Cobiçava à mulher a determinação dos gestos, que lhe pareciam mais maduros do que os seus. “Talvez seja melhor ideia eu ficar por aqui”, disse-lhe. “Desde quando é que tens boas ideias, querido?”. Sorriram, sem grande vontade, deram de novo as mãos e continuaram a caminhar.
 
Quando era criança e se deixava levar pelos adultos, não entendia porque tinha de lhes dar a mão. Escapava ocasionalmente e procurava sujar os dedos com aquilo que fosse mais prático. Terra, lama, óleo, um croquete gorduroso. Por vezes, até um punhado de relva bastava. Queria que as suas mãos se tornassem impossíveis de pegar. Anos mais tarde, à saída de um bar, quando a palma da sua mão direita tocou na palma da mão daquela que viria a ser sua mulher, concluiu que poderia dar uma oportunidade a esta convenção. Não se sentia guiado. Partilhavam a decisão sobre o rumo a tomar. Pouco depois, começaram a suar excessivamente e tiveram de separar as mãos húmidas. Se alguém olhasse para os dois agora saberia que estava a olhar para um casal. Afastavam-se ao sabor das pequenas falhas do pavimento e voltavam a aproximar-se assim que o passeio lhes permitia. A unir esse vaivém estavam as mãos entrelaçadas, numa ternura serena, inconfundível. As pontas dos dedos dele tamborilavam sobre as costas da mão dela. Eram um casal, pensava, enquanto olhava de cima para baixo para os prédios altos que o faziam sentir, senão insignificante, pelo menos minúsculo.
 
Num dos olhares pela superfície espelhada de um deles, olhou para si e para ela com maior atenção. Desde quando ele se tornara mais baixo ou ela mais alta? A diferença não era ligeira. De repente, reparou também no seu rosto, nos traços imberbes que agora apresentava. Conseguiu identificar o movimento de afastamento e aproximação entre os dois durante a caminhada, no entanto apercebeu-se de que este se devia apenas à sua passada lenta e aos puxões vigorosos que ela imprimia na passada, para que não se atrasassem. Sempre que dava um novo passo parecia diminuir um centímetro e olhava para o rosto da mulher num plano cada vez mais contrapicado. Sem se aperceber, deu por si a ser guiado. A mão, enrolada à dela, já não partilhava caminho. Não fazia ideia de onde estava. Não sabia para onde seguiam.
 
A chuva parara há uns minutos. Tinha os pés ensopados. A palmilha e as meias libertavam a água em excesso sempre que pousava os pés no pavimento. O som era engraçado. Tentou lembrar-se de onde o reconhecia. Não conseguiu. “Tenho os sapatos molhados”, disse. “Não te preocupes, querido”, respondeu-lhe. “Tenho outros secos na mala para trocares assim que chegarmos”. Ao lado, uma criança de impermeável e galochas saltava sobre as poças que a chuva tinha criado e explodia em risos eufóricos e furiosos. Apeteceu-lhe juntar-se a ela, molhar-se por completo, somar o seu barulho àquele momento, mas não foi capaz. A mão continuava a puxá-lo.
 
Uma centena de metros mais à frente, entraram numa enorme porta castanha e atravessaram dois corredores com paredes cobertas por cabides onde se amontoavam coloridas peças de roupa. A voz da criança das poças, multiplicada por cem, parecia querer explodir por trás das portas fechadas que iam encontrando pelo caminho. Por fim, uma dessas portas abriu-se e fez-se silêncio. Por trás das pernas de alguém de bata quadriculada, dezenas de olhos curiosos cravaram-se em si. Sentiu as mãos da mulher à volta do seu rosto e só aí se apercebeu de que já não estavam de mãos dadas. Ela acariciou-lhe as bochechas com uma doçura que não lhe conhecia e saiu porta fora, deixando-o ali de mãos vazias. Olhou para as outras crianças à sua volta e, antes de avançar rumo à casinha das bonecas, perguntou a uma outra mulher que ali estava porque era o único de fato preto em vez de bibe.
 
 
(A partir de um exercício do curso Pensar a Escrita)
 

Havia, há um dia

Setembro 24, 2024

Havia, há um dia, quem chinelasse pela carruagem do comboio, os pequeníssimos grãos de areia em debandada perna abaixo até ao piso azul salpicado de estrelas brancas de microplástico, como aquele outro lençol em constante emoção que vem ao nosso encontro junto ao areal, há bem pouco tempo havia quem transportasse até à barriga da perna o que sobrava de uma jornada plena de ócio, atirada à cara de quem passou pelas férias sem pisar um areal, nem sequer um peixe-aranha mais atrevido, e nem sentiu falta desse mergulho a seco no Verão, nem do mergulho a sério na àgua com sal e plásticos, macro ou micro, ainda há um mês havia pouco espaço na carruagem para entrar, era preciso furar pelo meio dos corpos adolescentes, colados entre si como se o sal os prendesse uns aos outros após um dia inteiro na praia, talvez apenas uma tarde, já que nesta idade basta uma tarde para gastar quase uma vida inteira, até há uma hora, parece-me agora, ainda os via adormecidos nos bancos do comboio, amontoados como despojos de uma batalha, mas das felizes, com os seus penteados todos iguais, as suas roupas idênticas, a dormir com um escaldão bem vivido, ou ainda a pingar, de pé, uma poça a crescer no meio da carruagem, a praia possível de Belém ao Cais Sodré, o Verão praticável, havia qualquer coisa de Outono nesse Verão, talvez a culpa seja do ar condicionado.

 

 
 

Quinze anos

Setembro 09, 2024

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Deste lado do túnel tento espreitar, mas não vejo nada. Estaria naquele canto do sofá, onde me sentava de computador ao colo para escrever? Ou no trabalho, à frente da secretária, a antecipar a hora de almoço? Era uma quarta-feira e por volta das 12h publiquei pela primeira vez neste blogue. Aconteceu há quinze anos, num dia 9 de setembro, mas em 2009.

"Só se têm passado coisas que me comovem", começava essa publicação curta. "Mesmo que isso só aconteça uns minutos, umas horas ou uns dias depois." Não consigo afirmar com convicção porque o fiz nessa altura, assim como continuo sem perceber porque continuo a fazê-lo década e meia depois. Sei que é um sítio, ainda que abstracto, onde estendo ideias ao comprido, e que atravessou fases e vidas distintas. Da profusão de publicações dos primeiros anos, muitas delas tornadas penosas de ler com o tempo, este blogue tornou-se um repositório mais irregular. Talvez tenha começado a pensar menos, talvez tenha passado a pensar de mais.

Passaram quinze anos. Volto a comover-me.

 

As Primeiras Vezes

Junho 01, 2024

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A maior parte do que escrevo acaba nestas quatro paredes com janelas rasgadas para a minha cabeça. Mas nem tudo vem aqui parar. 

Há quatro anos a Joana Botelho enviou-me um e-mail, que ainda guardo, com o assunto "ConeyIsland - Invitation to edit". A partir daí vasculhei, sem remexer, as memórias da Joana para escrever algo que estivesse à altura dessa confiança. Assim começou a nascer uma curta-metragem. 

Há um ano decidimos pedalar do Cais Sodré até à Torre de Belém e a Joana só parou, ainda sem ar, no palco dos Novos Talentos FNAC. Venceu o primeiro prémio. Aí o filme já tinha corpo e nome, "Coney Island - As Primeiras Vezes". 

Há uma semana, enquanto a Joana caminhava até ao palco (de uma sala que conhecemos de outros festivais) para receber o prémio Sophia de Melhor Curta-metragem de Documentário, aplaudi, sorri e pensei na quantidade absurda de memórias que cabem num filme de oito minutos. 

Daqui a alguns dias, a partir de 6 de junho, o filme vai estar em exibição no Cinema City Alvalade, em Lisboa. 

 

Perfeitos, os dias.

Abril 16, 2024

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(Still do filme Dias Perfeitos, de Wim Wenders)

 

Acordar com o sussurro de uma vassoura, erguer o tronco, depois o resto do corpo, arrumar com preceito a roupa de cama e o colchão, pulverizar de água as plantas, lavar a cara, vestir a roupa de trabalho, sair porta fora com a calma devida, para ter tempo de olhar para o céu e sorrir, quer faça chuva ou faça sol. A rotina não é enfadonha. A rotina é um método.

Entrei numa sala de cinema no último dia dessa fuga ao quotidiano a que chamamos de férias - há uma década seria um evento costumeiro, de há uns anos para cá tem-se tornado excepcional - para ver "Dias Perfeitos", último filme de Wim Wenders. A rotina que comecei por descrever corresponde aos primeiros instantes dos dias de Hirayama, um homem que vive consigo numa pequena casa de decoração contida, limpa casas-de-banho de Tóquio com rigor e a quem ouvimos a voz pela primeira vez já o filme vai a meio. É o protagonista do filme, humano de mais para ser misantropo, recluso de menos para ser um eremita. E no entanto ele move-se silencioso pela cidade, cumprindo o seu quotidiano perene, como se de um ritual se tratasse.

"Porque é que as coisas têm de mudar?", pergunta desgostosa uma das personagens. Hirayama tudo faz para o evitar. É precisamente através da reincidência de gestos e hábitos que encontra um reconfortante sentido de novidade. As músicas que escolhe ouvir no carro, preservadas na fita de uma cassete, marcando o ritmo do início de cada dia, as copas das árvores tingidas de luz que fotografa de forma meticulosa, o olhar que lança todos os dias de manhã ao céu assim que sai de casa. Não há dois dias iguais, ainda que o exercício de os distinguir seja por vezes bem mais difícil do que aqueles passatempos que nos pedem para encontrar dez diferenças entre duas imagens.

Aprendi a não me preocupar e a amar a rotina após anos de um combate sereno contra a ideia de repetição. Continuo a aprender a consenti-la. Se a rotina é um método, a constância pode ser o seu remate, a garantia de acesso às subtilezas que ficam nos intervalos entre o que é ordinário e o que é extraordinário. O método não é infalível, tem os seus dias como tudo.

De caminho, rumo ao trabalho, passo pela estátua de Afonso Albuquerque, que continua no mesmo lugar, não tem para onde fugir. Visto daqui, rodeado de copas de árvores, a sua cor transfigura-se, de mês para mês, por vezes de dia para dia, e nem sempre reparo nesses cambiantes. Mas nesta manhã o que vejo é uma ave pousada no topo da cabeça da estátua e sorrio porque me recordo de quando, há uns meses, a minha filha me acompanhou neste trajeto dois dias seguidos. Esteve comigo também na rotina, no percurso que faço de olhos abertos, mas que poderia fazer de olhos fechados. Ao segundo dia, após ter percorrido quatro estações de metropolitano, caminhado até ao torniquete nos passos curtos a que a multidão obriga, subido as escadas rumo à plataforma do comboio, olhou para mim e disse de cara luminosa "Parece que estamos a repetir o mesmo dia". "Isso é bom?", retorqui. "É fantástico!"

 

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(Still do filme Dias Perfeitos, de Wim Wenders)

 

Marias da Paz

Março 11, 2024

Nestas eleicões calhou-me acompanhar uma secção de voto composta em exclusivo por mulheres, um quase monopólio de Marias de todos os tipos. Marias Augustas, Marias Benvindas, uma ou outra Maria da Paz. Nomes próprios na sua maioria de outro tempo. Assim que me apercebi desta circunstância, refreei alguma da ansiedade com que iniciei o dia. Confio na sageza e na humanidade das Marias. As da Anunciação, as de Fátima, as de Lourdes ou de Lurdes, das simplesmente Marias, que são poucas. Mesmo daquelas que nem se chamam Maria. A certa altura, olhei para a urna, já o dia ia longo, e imaginei os boletins amontoados, cada um a falar para os seus botões, mas também umas com os outras. As Marias do Rosário com as Marias Carolinas, a responderem logo depois às Marias do Céu e às Marias do Carmo. Quantas vozes se acumulam numa caixa negra... Num avião, as caixas negras (que na realidade são laranjas ou vermelhas) registam variações na altitude e na velocidade, mensagens e conversas e ouvimos falar delas apenas nos dias maus. Os dias de eleições podem ser dias bons e maus, muito bons e muito maus. Quando abrimos uma das caixas negras, alargamos a conversa que aqueles votos estiveram a ter durante um dia inteiro. Depois a cavaqueira alarga-se e, tantas vezes, degenera. As Marias não me desiludiram muito, no entanto não posso afirmar o mesmo em relação ao resto da conversa. O que estarão agora a pensar as Marias da Paz?

Uma partida

Dezembro 07, 2023

Uma asa espalmada numa largueza de voo rasante, um crânio exposto em despudorada nitidez, entranhas desordenadas servidas em bufete.

Da anatomia dos pombos sei apenas o que vejo no asfalto.

 

No céu do meu quarto, há uma mancha de humidade em forma de pássaro. 

Mas hoje, o que vejo quando acordo e espreito pela janela é um pombo de peito para cima, apontado às nuvens.

O pássaro sorri, no eterno repouso trocista a que os defuntos se dedicam, como quem se prepara para pregar uma partida. 

Portanto não dorme, está morto. Mas sorri, está morto.

 

Assim que lhe virar as costas, o pombo abrirá um olho para verificar se ninguém o vigia. Rebolará para um dos lados e, por fim, voltará a voar. 

Isto se a morte fosse uma partida e não a partida.

 

Mastigo o pequeno-almoço de olhos presos naquele corpo cinza.

Temo que o pombo ali fique, a aprodrecer à minha frente, reclamando a sua desaparição por um qualquer necrófago.

Ou então que se mantenha por ali em troça, animal empalhado sem sala de estar para repousar.

Não é troféu, nem ave de estimação.

 

Vejo-o de novo enquanto me visto.

Mantenho-o sob o meu olhar a partir da janela da cozinha, da janela da casa de banho, da janela do quarto das minhas filhas, da janela do nosso quarto, da janela da sala, até sair pela porta.

Ou até me esquecer dele.

 

Mas, na verdade, quando regresso tento procurá-lo.

O pombo morto, estendido no telhado do prédio em frente, desapareceu.

Imaginem se a morte fosse a partida e não uma partida.

 

 

 

Um muro

Dezembro 04, 2023

 

Um longo muro que fala e se cala ao longo dos 200 metros, mais coisa menos coisa, que temos de percorrer a seu lado. Deixa-me sempre a cismar nos nomes e nos desenhos que o apanharam de surpresa antes de serem apagados, nas mensagens que foram rapidamente soterradas por uma tinta que nunca é igual à anterior. Há um rasto inesperado a cada passo, um padrão de geometrias variáveis, cores e bolores, que tornam o muro mais espalhafatoso do que se estivesse coberto de grafíti. Camada sob camada. Ou será camada sobre camada?

 

 

Cloridrato de propranolol

Outubro 31, 2023

Sem Títulosss-1.jpg

 

Todas as manhãs tomo um comprimido cor-de-rosa,

excepto nas manhãs em que me esqueço de o fazer.

 

Lendo a bula, descobri que o cloridrato de propranolol

é indicado para o controlo da angina de peito,

das arritmias cardíacas, da taquicardia por ansiedade

e do tremor essencial, que é afinal um tremor dispensável.

 

Controla também a hipertensão, razão pela qual o tomo todos os dias,

excepto nos tais dias em que me esqueço de o tomar.

 

O sangue continua a pressionar em demasia as artérias do meu corpo.

Estou vivo, excepto quando me esqueço.

 

 

 

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