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Longitudinal

Estado actual #16

Dezembro 31, 2009

 

Há dez anos, na noite em que passámos de 1999 para 2000, estava em minha casa, com os meus pais, alguns sonhos comestíveis, um gole de espumante e um pouco de medo por não gostar de passas, não as engolir ao som das doze badaladas que já não se ouvem e, logo, não ter boa sorte durante o resto do ano. Andava no 8º ano, não tinha medo do bug do milénio, pensava que sabia alguma coisa sobre tudo, não sabia o que era o Big Brother (o reality-show, não o ditador vigilante do livro do Orwell), a SIC passava filmes soft-core pela madrugada adentro, não ligava muito à comemoração mas fingia que sim. Hoje continuo a não gostar mas já não me esforço para fingir.

Ao lado da avó #5

Dezembro 27, 2009

 

- Outro dia estava a falar com a M**** ****** e ela estava-me a dizer que andava com dificuldades para adormecer. Eu disse-lhe que também. Sabes o que é que ela me contou?

- O quê?

- Sabes o que é que ela faz para adormecer? Começa a contar os maricas que conhece. Já vai em 11!

 

«Um vendaval passou...»

Dezembro 26, 2009

 

Há o bom e o mau tempo. Há ainda a falta de tempo, que é aquilo de que tenho sofrido nos últimos tempos. Há também a falta de electricidade provocada por ventos a passear acima do limite de velocidade permitido por lei. Depois resulta nisto. «Um feliz Natal», pensou o senhor que manda nos fenómenos climáticos.

 

 

Rua Garrett (pelas 17 horas)

Dezembro 21, 2009

 

Não há nenhum momento que nos pertença exclusivamente. Alguém já o viveu ou alguém o vai viver. E isto tudo muitas e muitas vezes. Há uns dias estava a descer a Rua Garrett e um miúdo à minha frente viveu exactamente o mesmo momento que eu vivi quando tinha mais ou menos a idade dele (e que muitos outros miúdos viveram também, claro). Estava a andar pela rua com o meu pai ao lado quando vi, ao longe, um homem estátua. Olhei-o, mais com medo do que com curiosidade (ou então a curiosidade também tem alguma coisa de cagarolas e passa tudo pelo mesmo). O meu pai entregou-me uma moeda e acompanhou-me até eu a deixar cair no caixote onde já estavam outras tantas. Ao barulho do metal ele respondeu inclinando-se para mim e sorrindo. Não deixei de ter medo mas o resto do dia fiquei a pensar naquilo. O miúdo viveu o mesmo, tenho a certeza. E eu acompanhei-o em silêncio.

 

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