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Longitudinal

Longitudinal

Uma experiência mais humana

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"A cerimónia de três horas foi de uma ansiedade interminável. A meio, esgueirei-me até ao lobby, onde apanhei o Richard Burton a fumar um cigarro. Ele olhou para mim e disse alguma coisa sobre ter dúvidas de alguma vez vir a ganhar uma "dessas malditas coisas". Eu anui com a cabeça. Que mais poderia fazer? Eu estava ao lado de uma lenda. Ele tinha razão. Não ganhou. Ganhou o Richard Dreyfuss. A imagem do Dreyfuss a bater palmas e a sacudir os punhos era difícil de superar, mas o encontro particular e cara a cara com o Richard Burton teve um poder mais duradouro. Talvez perder seja uma experiência mais humana."

 

(Diane Keaton sobre a cerimónia dos Oscars de 1977, na qual venceu o prémio de Melhor Actriz por Annie Hall, num excerto do seu livro de memórias Then Again.)

Escrever em voz alta

Durante nove meses, oito pessoas traçaram um objectivo: escrever uma peça de teatro. A maior parte nunca o tinha feito (ou pelo menos desta forma). A cada semana expuseram os seus textos, inquietações e as dores de parto de um processo criativo. O Teatro Nacional D. Maria II criou um Laboratório de escrita para teatro, com o olhar apontado para o surgimento de novos dramaturgos e de novos textos. As palavras e personagens criadas nos últimos meses vão ganhar corpo no Festival de Leituras Encenadas, até 26 de Junho. no D. Maria II, em Lisboa. Será uma prova de fogo para os oito autores, que se conheceram no quinto piso do Teatro Nacional, onde criaram uma ligação familiar. Até que a sala se tornou pequena, num dia em que receberam os encenadores e actores que, a partir de agora, vão pegar nos seus textos. É por aí que começamos. Pelo fim.

 

Que já só penso no Verão do próximo ano

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Que hoje esteve calor, que já é Verão, que não devias andar com a cabeça a descoberto, que afinal ainda não está tempo de ir à praia, que o que me apetecia agora era mesmo um mergulho, que a água do mar está muito fria, que as ondas estão muito fortes, que hoje não há ondas e isto mais parece uma piscina de crianças, que a praia está a abarrotar, que está muito vento, que tenho areia em todos os refegos do corpo, que afinal o tempo já está mesmo de praia, que se aqueles miúdos me voltam a acertar com a bola nem sabem o que lhes acontece, que o trânsito para a praia estava infernal, que hoje a praia estava impossível, que não consigo acreditar que ainda há quem traga tachos e panelas para a praia, que tenho fome e só trouxe uma sandes de queijo e um iogurte, que dava o meu reino por um gelado no final de um dia na praia, que acho que já estou a ficar bronzeado, que os dias estão mesmo mais longos, que as saídas à noite estão cada vez mais longas, que tenho o livro cheio de grãos de areia, que os dias começam a parecer mais curtos outra vez, que ontem já tive de carregar a geleira e o chapéu de sol portanto hoje é a tua vez, que me sabe bem regressar a casa com a pele encascada do sal e da areia e ter de baixar a pala no carro para não ficar encandeado, que devo ter perdido os óculos de sol algures, que os dias estão mesmo a ficar mais curtos, que ontem não estava quase ninguém na praia, que hoje já fazia falta um tapa-vento, que afinal os óculos de sol estavam no porta-bagagens, que ninguém merece andar estes quilómetros todos e estar bandeira vermelha, que hoje nem vou espalhar protector solar, que não vou andar quilómetros e quilómetros de carro para chegar lá e o tempo estar péssimo, que os dias estão mais curtos, que hoje já esteve mais frio, que já só penso no Verão do próximo ano.

 

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