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Longitudinal

Factos de dupla face

Setembro 29, 2017

"Tracey era firme na sua lealdade à memória do pai ausente, muito mais susceptível de o defender do que eu de falar com simpatia do meu, inexcedivelmente carinhoso. Sempre que a mãe falava mal dele, Tracey tratava de me levar para o quarto, ou para outro sítio privado, e rapidamente integrar o que a mãe tinha dito na sua própria história oficial, segundo a qual o pai não a tinha abandonado, não, nada disso, só que andava muito ocupado porque fazia parte do corpo de dançarinos de apoio de Michael Jackson. Poucas pessoas conseguiam acompanhar Michael Jackson a dançar - aliás, quase ninguém conseguia, talvez só houvesse vinte no mundo inteiro que estavam à altura. O pai de Tracey era uma dessas pessoas.Nem tinha precisado de chegar ao fim da sua audição - era tão bom que eles tinham percebido logo. Era por isso que quase nunca estava em casa: andava numa interminável digressão mundial. A próxima vez que estaria na cidade era provavelmente no Natal, quando Michael ia actuar em Wembley. Num dia limpo viamos este estádio da varanda de Tracey. Agora é-me difícil dizer que grau de credibilidade atribuía a esta história - havia certamente uma parte de mim que sabia que Michael Jackson, finalmente livre da família, dançava agora sozinho - mas, tal como Tracey, nunca aventei o assunto napresença da mãe dela. Como facto, aquilo era, na minha ideia, ao mesmíssimo tempo absolutamente verdadeiro e absolutamente falso, e talvez só as crianças sejam capazes de absorver factos de dupla face como estes."

 

(Swing Time, Zadie Smith)

Vidas reais

Setembro 27, 2017

“- O Blunkett tem de ser sensato e de tomar medidas para que este país continue a ser um refúgio. As pessoas que sobreviveram a guerras horríveis têm absolutamente de ser autorizadas a vir para cá! – Virou-se para Obinze. – Não concordas?

 

- Concordo – disse ele, e sentiu a alienação a percorrê-lo como um arrepio.

 

Alexa e os outros convidados, e talvez até Georgina, compreendiam a necessidade de fugir à guerra, ao tipo de pobreza que esmagava as almas humanas, mas não compreenderiam a necessidade de escapar à letargia opressiva de falta de escolha. Não compreenderiam porque é que pessoas como ele, que haviam crescido bem alimentadas e com todas as suas necessidades satisfeitas, mas atoladas em insatisfação, condicionadas desde a nascença a olhar na direcção de outro lugar e eternamente convencidas de que as vidas reais aconteciam nesse outro lugar, estavam agora resolvidas a fazer coisas perigosas, coisas ilegais, para poderem partir, sem que nenhuma delas estivesse a passar fome, a sofrer violações ou a fugir de aldeias incendiadas, mas meramente famintas de escolha de de certeza.”

 

(Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie)

Dos manuais às universidades, onde está o racismo na escola?

Setembro 14, 2017

Neste quarto trabalho da série Racismo à Portuguesa, analisa-se a forma como ao longo das várias etapas do sistema de ensino os alunos negros são avaliados e escrutinados. Mas também a representação do colonialismo, da escravatura e dos cidadãos negros nos manuais escolares. Esta série é a segunda parte da série Racismo em Português, sobre o colonialismo português em África e centra-se, por isso, no racismo contra os negros. Justiça, habitação, emprego, educação, activismo e as marcas do colonialismo em Portugal são as áreas abordadas.

 

(Reportagem de Joana Gorjão Henriques, Frederico Batista e Sibila Lind)

"Vemos as cores, não vemos as competências"

Setembro 12, 2017

Terceiro trabalho da série Racismo à Portuguesa, do jornal Público, com uma perspectiva sobre o mercado de trabalho em Portugal. Esta série é a segunda parte da série Racismo em Português, sobre o colonialismo português em África e centra-se, por isso, no racismo contra os negros. Justiça, habitação, emprego, educação, activismo e as marcas do colonialismo em Portugal são as áreas abordadas.

 

(Vídeo de Sibila Lind, Joana Gorjão Henriques e Frederico Batista)

"Somos negros. Portugal ainda não dá valor como gente"

Setembro 12, 2017

 

 

Segundo trabalho da série Racismo à Portuguesa, do jornal Público, onde se analisa o acesso à habitação, desde a procura de casa à construção informal de bairros. Esta série é a segunda parte da série Racismo em Português, sobre o colonialismo português em África e centra-se, por isso, no racismo contra os negros. Justiça, habitação, emprego, educação, activismo e as marcas do colonialismo em Portugal são as áreas abordadas.

 

(Reportagem de Joana Gorjão Henriques e Frederico Batista)

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