Pais nossos
Fevereiro 17, 2026

Uma das melhores formas de aprender uma língua é praticá-la. Por isso, quando propus escrever sobre paternidade, sabia que teria de conversar com outros pais. Durante meses, fui acumulando conversas francas e demoradas. Não consigo contá-las pelos dedos das mãos. Muito menos em minutos ou horas. Penso nelas como um arquivo coletivo que podia continuar a alimentar e a organizar de forma metódica. Ouvi expressões semelhantes, que pareciam confirmar a existência de uma língua. Descobri também dissonâncias que, ao invés de fragilizar essa ideia de um idioma comum, tornavam a sua gramática mais rica e densa. Entre um pai de 29 anos e outro de 75, o mais novo e o mais velho com quem falei, tece-se uma tapeçaria fina, quase invisível, pela qual caminham gerações e gerações, do passado e do porvir. Este "Pais Nossos", que será lançado daqui a alguns dias, não é uma reunião de bons exemplos, não serve para erguer uma estátua. É o oposto disso, o início de uma longa conversa sobre isto de ser pai. Afinal, para que serve um pai?
* No dia 18 de Março, vou estar também à conversa no espaço Âmbito Cultural do El Corte Inglés para apresentar o livro.