Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Longitudinal

Uma casa #2

Janeiro 31, 2020

Vizinhos

CEEY4324.JPG

Descobri os vizinhos depois dos trinta. Antes disso eram apenas nomes como fronteiras ou entidades como fantasmas. O terreno do senhor Cesário, acolá atrás do muro, onde aterravam bolas e G.I. Joes de pára-quedas. Aquela nespereira, de tronco fincado no terreno de outra vizinha, que fazia pender generosos ramos sobre o nosso quintal - e eu nunca gostei de nêsperas. Anos mais tarde, um baldio de ervas altas de um lado, a estrada nacional à frente, a residência sazonal de uns primos do outro lado, e uma parede mal caiada para além da qual se adivinhava a presença revezada de uma família humana e de uma vara de porcos. Vivi mais de um ano num prédio em Lisboa sem ter trocado uma só palavra com outra pessoa que lá morasse. Um dia abri a porta de casa distraído e vi um galgo afegão, de pêlo sedosamento sobranceiro, de olhos postos em mim. Não havia qualquer pessoa ao lado, o cão era o seu próprio dono, sem trelas. Fechei a porta num ápice, rendido à superioridade daquele olhar, sobretudo surpreendido por ter um cão como vizinho. A vizinhança que descobri depois dos trinta não é feita de cães, nem de pessoas, nem daquela pitada de sal de que precisamos de vez em quando, nem se sossega com uns bons dias trocados nos degraus das escadas. Pelo menos, não só disso.

Comecei a pensar nesta vizinhança na mesma altura em que, a propósito de um trabalho sobre os 150 anos da Estação de Santa Apolónia, andei às voltas por aquela área. Numa conversa inicial com uma trabalhadora da (então) CP, ouvia-a referir-se àqueles que viviam paredes meias com a estação como "os confinantes". A palavra fez-se ouvir de uma forma especial, desconfiei dela graças à noção de encerramento que o verbo confinar contém. Como desconfio de quem cola autocolantes amarelos na caixa de correio a rejeitar publicidade não endereçada. Mas bastou avançar por uns degraus, sondando outros pisos, tal como devemos proceder com as palavras, para chegar ao significado que essa pessoa lhe atribuía. A estação e as pessoas que vivem, trabalham, dançam à sua volta são vizinhos porque partilham os mesmos limites. As paredes pertencem a quem se esconde no seu interior ou a quem quer passar despercebido lá fora, do outro lado? E qual é mesmo o outro lado? Partilhar limites parece-me meio caminho andado para deixar de os estabelecer - e ainda bem.

Se digo que descobri os vizinhos depois dos trinta, digo também que me descobri como vizinho por essa altura. Lentamente passei a encarar a vizinhança como um corpo único, cuja organicidade se sentia em pequenos rituais. A imagem que reproduzo aqui, no topo do texto, é um exemplo disso. Quando estendia a roupa e, por distração ou aselhice, me escapavam algumas peças de vestuário para o quintal do rés-do-chão, sabia que mais tarde ou mais cedo, elas iriam aparecer à minha porta. O vizinho do primeiro andar fazia questão de as resgatar (como foi o caso daquela meia) e devolver ao puxador da nossa porta, a par das molas igualmente caídas. Outro episódio: há uns anos, pouco depois de ter sido pai pela primeira vez, percorria os corredores do supermercado do bairro quando uma senhora parecida com a minha avó decide interromper o meu alheamento. Perguntou pela mãe da bebé, pela bebé, pelo nome que lhe tínhamos dado e sorriu. "Sabe, é que eu fui acompanhando a gravidez..." Nunca tínhamos falado, não me lembro de até aquele momento a ter olhado tempo suficiente para me recordar da sua cara. No entanto ela lá estava, na janela do rés-do-chão do prédio em frente, e tinha visto uma barriga crescer com o entusiasmo de quem já descobriu o que é isto de ser vizinho há muito tempo. Nessa altura eu ainda estava a descobri-lo.

No último dia de mudanças de uma casa para outra, cruzei-me com uma moradora recente no meu antigo bairro. Tinha decidido abrir um café num espaço que já tinha sido uma padaria. Reuniu durante meses o material necessário, foi compondo peça a peça o seu negócio, vi-a a chegar sozinha tantas vezes, já a noite estava instalada, com caixas, electrodomésticos,  num esforço ruidoso que contrastava com a quietude daquelas ruas. Cruzei-me com ela a meio do segundo dia de portas abertas e anunciou-me que ia desistir. Aquela rua "só tinha velhos que passavam o dia enfiados à janela a olhar cá para baixo".  A descrição correspondia integralmente à realidade. Contudo aquilo que para ela foi um desabafo, que justificava o falhanço da sua empreitada, era para mim a ilustração perfeita dos confinantes daquela rua, dos meus vizinhos, do seu papel naquele organismo. Cada par de olhos a espreitar pelas janela. Este ano mudei-me para outra rua, a um quilómetro em linha recta daquela outra. Os meus vizinhos continuam lá, não os subtraio. Na minha nova rua, às janelas vejo imensos gatos, deitados em tronos com espaldares de sisal, onde afiam as garras enquanto me fitam com o mesmo olhar do tal galgo afegão, que era meu vizinho sem eu saber. Nesta nova casa, os felinos são a minha primeira vizinhança.

 

Uma casa #1

Dezembro 20, 2019

Casas vivas

2019-12-18 09.39.21 2.png

A minha casa mudou de sítio. Fez-se pesada antes de entrar numa carrinha de mudanças, despediu-se das paredes onde viveu oito anos, subiu aos bocados para um terceiro andar e tem passado os últimos dias a instalar-se, com o caprichoso vagar de um felino. Esconde no fundo de sacos e caixotes objectos cujo paradeiro não tem vontade de denunciar. Amontoa-se como pode junto às paredes, encolhe quartos quando se espreguiça, tem de ser desbastada. Tem de ser domada. Esta casa, como as casas em geral, tem uma cartilha, que não depende das quatro paredes em que a fecham. Demora a aceitar novas coordenadas geográficas. Podemos respeitar as suas delongas mas se as não vigiarmos encontram forma de ganhar terreno, sorrateiras, caseiras como as casas podem ser. A minha casa, ainda mal refeita da mudança, permanece (em parte) encerrada em caixotes que aguardam o seu momento de liberdade. Enquanto espera, vai espreitando o prédio em frente, sobretudo aquela janela de estores esquecidos, onde descobre todos os dias a casa que poderia ser, se tivesse a liberdade de se espraiar como sonha.

 

Por quanto tempo pode um prédio continuar a subir?

Novembro 07, 2018

 

0

 

Hora de almoço e uma mesa corrida à volta da qual se plantam tupperwares e janelas rasgadas para uma rua de segunda ordem onde um prédio começa a subir e as vozes de dentro se misturam com as de fora e os talheres com as picaretas e um plim do microondas comunica que o almoço está pronto pela segunda vez e à nossa volta alguém engole "feijão com arroz como se fosse o máximo" e bebe e soluça "como se fosse máquina" e no dia seguinte o prédio que já foi apenas uma cova na esquina de uma rua de segunda ordem com uma rua de terceira ordem continua na mesma e duas semanas depois, ou foi um dia apenas?, já vemos mais um ou dois pisos e pensamos na rapidez com que eles fazem isto e na velocidade com que afinal o mundo se reveste e em como muitas coisas começam afinal por ser um buraco aberto no meio de uma rua, no mesmo sítio onde nos lembramos de ter visto outro prédio qualquer há uns bons anos, e vai mais uma garfada de empadão e vai mais um naco de carne reaquecido e o ruído das obras não é assim tão diferente do de uma pessoa que se entrega à dádiva da fala como um cão se lança sobre um saco de broas e o prédio continua a subir e  mesmo que tenham passado meses parece que ele segue veloz a trepar quando na verdade se arrasta a conta-gotas rumo às nuvens como uma estalagmite de betão e vigas e mãos e andaimes e dureza e capacetes coloridos e de uma fadiga que roça a abnegação e de outras mãos ainda e de indiferença e berros que desabam do sexto piso até ao passeio e outro plim devolve-nos ao prazer singelo da segunda refeição mais importante do dia e, ao passo que deglutimos, a cidade continua a bolçar das suas entranhas mais um piso de um prédio que parece acariciar os céus mais do que arranhá-los e praticamente ouvimos o seu roçagar nessa penugem nubígena que dos homens primordiais ao Astérix nos assombra de livre vontade e no entremeio do palavreado de circunstância e das garfadas de bacalhau com natas e pescada cozida com todos há mais um patamar rumo à vizinhança entre o solo e os anjinhos e o prédio está ainda mais altaneiro e vem mais um plim e depois

"Como se a gente estivesse na beira do trampolim de uma piscina" - notas soltas sobre a mudança

Julho 10, 2018

Em mil novecentos e setenta e quatro, a minha avó trabalhava na zona do Chiado, na Rua das Chagas, onde esteve até se reformar, contrariada. Numa quinta-feira desse ano, que por acaso era dia vinte cinco de Abril, apercebeu-se daquilo que acontecia a uns quinhentos metros dali, no Largo do Carmo, e saiu a correr do trabalho. Precipitou-se Bairro Alto acima e foi para casa o mais depressa que conseguiu. "Ia fazer o quê, lá para o meio da confusão?"

 

*

 

 

Passou mais de um mês e uma vez por outra ainda dou comigo a caminhar em direcção à paragem do autocarro e não rumo à estação do metro. O autocarro levar-me-ia ao trabalho onde estive durante três anos. O metro leva-me ao actual. Podia ser uma metáfora parola sobre o desacerto crónico das nossas decisões. Não é. Os olhos retidos no ecrã do telemóvel ou nas páginas do livro são sacudidos pelo resto do corpo quando se apercebe de que não é aquele o caminho. Até há umas semanas passava sempre pelo mesmo café e snack-bar, filetes com arroz de tomate, bacalhau espiritual, iscas, salada de atum com feijão frade, tudo escrito a tinta azul numa toalha de mesa de papel, o céu à vista, agora entro no metro e vejo uma banca de fresh squeezed lemon juice e infiltrações no tecto da estação. Os pés entram na carruagem, quase sempre a primeira da frente de forma automática, porque em alguns casos o corpo é mais rápido do que julgamos, encosto-me àquele canto imediatamente a seguir à porta e fico colado às costas das cadeiras onde outras costas repousam. Uma, duas, três paragens, saio. Bem-vindo.

 

*

 

9f63e4cc-6ba9-11e4-9337-00144feabdc0.jpeg

 

Este mesmo período de mudança de trabalho coincidiu com dois espetáculos que vi no Teatro Nacional.  Ensaio para uma Cartografia, de Mónica Calle, e E se elas fossem para Moscou?, de Christiane Jatahy. No primeiro, mais de uma dezena de actrizes dançam. No segundo, três actrizes falam. Em Ensaio para uma Cartografia, as actrizes estudam uma coreografia ao som do Bolero de Ravel - e não só. Mas a música é frequentemente interrompida. O que escutamos não são interpretações imaculadas. Há paragens abruptas, ouvimos os comentários dos maestros que dirigem aqueles músicos, para logo de seguida recomeçar, parar de novo e voltar ao trabalho. Os gémeos em constante tensão, o suor a escorrer-lhes pelo corpo, as gotas a desenhar-lhes marcas de esforço no rosto, o chão fica cada vez mais húmido e nós, imóveis, ficamos ofegantes. Elas continuam a dançar, e a parar, e a certa altura até ensaiam dançar em pontas. Retomam o Bolero de Ravel, numa harmonia periclitante. Não desistem, estão juntas e tornam-se um bloco que, ao seu ritmo, se arremete na nossa direcção sem nunca se tornar ameaçador. No início, a Mónica Calle tinha explicado a quem estava sentado que este espectáculo começou a ser desenhado numa altura de mudança profunda, quando ficou entregue a perguntas como estas: "Como é que se recomeça? Como é que se continua?". As mesmas inquietações podiam sair das bocas de Olga, Maria e Irina, as três irmãs (como Tchekhov, o ponto de partida) de E se elas fossem para Moscou? Quando as conhecemos, há uma festa prestes a começar. A mais nova das irmãs tem planos de mudança ainda por estragar. A irmã do meio tem planos de mudança que, na verdade, são planos de fuga. A mais velha já sabe que os planos, mesmo os infalíveis, são difíceis de concretizar. A festa começa e termina, e por esta altura já tínhamos ouvido dizer, acerca disto tudo, que "É como se a gente estivesse na beira do trampolim de uma piscina e a água em baixo, azul, cristalina, brilhando, e o passado em fila empurrando a gente pra frente e, ao mesmo tempo, segurando o salto. E, depois do salto, um longo tempo no ar, e os minutos que parecem ser eternos, porque mudar é como morrer um pouco, a gente nunca mais vai ser o mesmo." 

 

*

 

Mesmo quando vêm à boleia de uma sensação de alívio, voluntárias ou involuntárias, as mudanças nunca são confortáveis. O síndroma de Estocolmo recorda-nos disso, se quisermos chegar a um extremo. Mas basta pensar num corte de cabelo. Pode transformar-se num sismo de réplicas imparáveis - mesmo que a reversibilidade esteja no horizonte. Mudamos sempre um pedacinho em todas as decisões que tomamos. Mas também permanecemos. Deixei de ser jornalista. Já tinha acontecido, portanto desta vez posso dizer que deixei de ser jornalista outra vez. Digo deixar de ser, como se conseguíssemos abandonar qualquer coisa que já fomos. Não deixamos de ser netos quando os nossos avós morrem, por exemplo. Ganhamos peso, tornamo-nos diferentes, mas aquelas pessoas que só nos conheceram ou viram antes imaginam-nos magros. Se em plena revolução decidirmos tomar um atalho e correr para casa, deixamos uma parte de nós nos tanques que nem chegamos a ver. Troquei de trabalho e o meu corpo insiste em recuar à memória que formou nos últimos anos. 

 

 *

angelstudio.jpg

 

Há um momento de silêncio, de serenamento, que só acontece no meu dia quando passeio a cadela à noite. Sei que existe vida no meu prédio mas todos os outros me lembram um cenário de cartão. Se a Maria soprasse como um lobo mau, desmanchar-se-iam em cascata pela rua abaixo. Num desses passeios reparei numa nova placa de uma agência imobiliária - um gentil lembrete de que afinal o mundo não pára por trás daquelas fachadas cartonadas. Vende-se "fantástica loja na Penha de França", descubro segundos depois num anúncio on-line. Está "totalmente remodelada", tem 138 m2 distribuídos por dois pisos com uma casa-de-banho em cada um deles. "Visite e deixe-se levar pelas suas ideias!". Pelo meio, como se fosse apenas um pormenor caricato da cronologia daquele espaço, a frase: "antigo estúdio da Valentim de Carvalho". Começou por ser estúdio RPE - Rádio Produções Europa, faliu, passou a Angel Studio e depois a Angel Studio I quando apareceu um número II lá para os lados de Cabo Ruivo. Nos últimos anos pertenceu, então, à Valentim de Carvalho. Terão passado por lá o José Afonso, o Sérgio Godinho, os Sitiados, os Xutos & Pontapés, a Lena D'Água, o Mário Viegas, os Mler Ife Dada, as Doce. Ou então só algum destes porque não é fácil perceber quem passou pelo estúdio I ou pelo II. Ali, o Rui Veloso gravou o primeiro álbum, e os Mind da Gap também - numa entrevista recente falaram desse estúdio "mais pequenino e localizado numa zona que era tipo um bairro". Mais arrebatador ainda: em 1982 ainda não tinha nascido; não sabia, portanto, que algumas décadas mais tarde, ia acabar a viver naquela rua, algumas portas ao lado do estúdio onde, entre a Primavera e o Verão desse ano, nascia um monumento. Entre Março e Setembro de 1982, neste estúdio que eu não consigo ver, escondido atrás de uma montra e disfarçado de loja à venda, o Fausto gravou o Por Este Rio Acima - outro gentil lembrete de que atrás destas fachadas o mundo não se cristaliza mesmo. Num prédio ao lado do meu foi burilado um monumento ao prodígio. Suspiro e até a cadela se esquece de ladrar em protesto pela espera. O estúdio que testemunhou o milagre já não é um estúdio mas antes um espaço "perfeito para negócios em open space, exposições ou até mesmo armazenamento" por 130 mil euros.

 

*

 

Este ano, no vinte e cinco de Abril, a minha avó desceu a Avenida da Liberdade comigo. Ambos pela primeira vez, ainda que pelo passeio. Sorrimos com os sorrisos de desfrute de quem toma posse da boulevard larga, comprida, onde caberiam mais, mais comprida e larga fosse. Empurrámos o carrinho onde seguia a minha filha, nos seus dois anos acabados de cumprir, distraída com a multidão que lhe passava a correr pela frente. Comprámos cravos encarnados em frente ao centro de trabalho do Partido Comunista. Os pés não se trocaram uma única vez.

 

 

[Comecei a escrever um esboço disto há uns três meses mas perdi o fio à meada. Entretanto o corpo começou a enganar-se cada vez menos no caminho, até deixar de se enganar por completo.

Não sei se me devo deslumbrar ou angustiar com esta competência].

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2009
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D